A dependência no produto internacional, a falta de uma longa-metragem nacional de qualidade, a escassez de uma fábrica que produz conteúdos do setor da educação para um outro campo, são alguns dos motivos que nos levou a projetar um dos pilares para dar a conhecer, no tempo e no espaço, o potencial não divulgado do nosso país, contribuindo, sobre tudo, para o reconhecimento e crescimento económico nacional.
O trabalho feito, enquadra-se no âmbito da disciplina de Informática Avançada, do curso Economia e tem como objetivo, dar a conhecer o plano de negócio de um estúdio cinematográfica.
Metaforizando, os realizadores nacionais, na sua maioria, não funcionam como “expedicionários” que exploram uma montanha desconhecida, mas sim, como donos de uma estalagem isolada, sempre com os mesmos clientes, recebendo de vez em quando um estrangeiro nas suas instalações. De notar ainda que, apesar de se ter registado avanços nas movimentações estéticas e de haver propostas imagéticas críticas universais, a classe profissional não se centralizou, até então, à volta de uma publicação periódica, seja ela de carácter científico, tecnológico, artístico ou outro.
Na nova vaga de cinema produzido com câmaras e suportes digitais registamos uma rutura com a mentalidade pós-colonialista e a consequente emergência de tendências diversas na abordagem narrativa ao complexo histórico, social e cultural cabo-verdiano, nomeadamente, a que assistem os jovens realizadores de documentário de criação; os grupos produtores do teatro filmado e editado em DVD; a de uma certa vanguarda vídeo experimentalista; a emergência dos criadores de curta-metragem de ficção; e finalmente, a construção de um estúdio cinematográfico para longas-metragens de ficção e diversos.
Paralelamente ao imaginário claridoso/pós-claridoso, colonial/pós-colonial, existe esse imaginário que tende a sair das vivências quotidianas da camada jovem, plena de ritmo, estilos diferenciados e hibridismo cultural, em rutura com a anterior, e que tem, plena expressão no contexto de criação ficcional e cinematográfica nacional. Tornou-se, nesta altura, necessário restituir à ficção o seu papel de construtor de realidades, e ao ativismo artístico e cultural o seu verdadeiro espaço, face à uma cultura televisiva, com tendência para a hipocrisia e o grotesco.